Ataques a pequenos provedores voltam a expor risco à infraestrutura de internet no Brasil

Ataques a pequenos provedores de internet voltaram a ser registrados no país. Nesta terça-feira (6), a AMO Internet, do Rio de Janeiro, informou que um veículo da empresa foi alvo de um ataque criminoso no Centro de Papucaia, no distrito de Macacu, o que levou à suspensão temporária de manutenções e instalações na região por questões de segurança.

O caso se soma a episódios ocorridos em 2025 na Bahia e no Ceará. Em março do ano passado, técnicos que realizavam reparos no bairro de Farias Brito, na periferia de Fortaleza, foram surpreendidos por criminosos que lançaram líquido inflamável contra o carro de manutenção, o que atingiu também um poste da rede, queimando cabos e danificando a infraestrutura. Um dos trabalhadores sofreu ferimentos leves.

Segundo uma fonte ligada a uma associação de provedores, desde 2024 há relatos de extorsão e cobrança de “pedágios” em áreas controladas por grupos criminosos. “Foi no segundo semestre de 2025 que ocorreram os casos de maior repercussão no Ceará e na Bahia, com violência direta contra provedores”, afirmou.

As entidades do setor dizem atuar internamente para lidar com o avanço da violência contra redes de telecomunicações — um problema que já começa a afetar a continuidade dos serviços e a segurança de trabalhadores.

Ainda em março de 2025 a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), em parceria com a Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro, aprovou um plano de ação para combater provedores de internet que atuam de forma irregular e que, segundo levantamentos da inteligência policial, são vinculados ao crime organizado em áreas vulneráveis.

Essa atuação incluiu a suspensão de um artigo do regulamento sobre as outorgas, que até então dispensava de autorização os pequenos provedores com até 5 mil acessos, o que facilitava a abertura de empresas ligadas ao crime organizado.