“A chave para competir é equilibrar a regulação”, diz autoridade alemã sobre integração digital UE‑Latam
Madri. “A melhor forma de garantir competição e beneficiar o consumidor é com regulação clara e incentivos”, afirmou Annegret Groebel, diretora da reguladora alemã BNetzA, ao destacar a importância de harmonizar regras e proteger os usuários nos setores digitais emergentes da América Latina e Caribe. A fala marcou o segundo dia do Digital Summit Latam 2026, nesta sexta-feira (27).
Segundo Groebel, é preciso ter “cuidado com a desculpa de simplificar a regulação“, uma vez que o objetivo não é criar um regulador consolidado, mas aplicar regras que fomentem competição e inclusão.
Assim como no Brasil, a reguladora alemã também adotou o método de leilões baseados em obrigações de cobertura e ampliação do prazo de licença do espectro, além de grande foco na competição, convidando novos entrantes, de forma que mesmo as cidades menos povoadas pudessem se beneficiar de tecnologia móvel.
Ainda sobre a questão regulatória, ela citou a Lei de Inteligência Artificial da União Europeia (UE). “Na Europa não falta regulação pelos riscos, mas ao mesmo tempo não queremos barrar a inovação. Mas não se pode prever tudo com a legislação, por isso em algum momento ela deve ser revista e definir o que funciona ou não”, disse.
“Na Alemanha, estendemos o uso de espectro e incluímos obrigações de cobertura para garantir que até as cidades menos povoadas se beneficiem da tecnologia móvel. Isso mantém o mercado aberto e atrai novos entrantes”, reforçou.
Ela disse ainda que os desafios vão além da infraestrutura: confiança e segurança são cruciais, especialmente diante de ataques cibernéticos e desinformação que já afetaram processos eleitorais na região. “Defender valores democráticos exige cooperação estreita e foco comum”, concluiu.
Por sua vez, Antonio López Istúriz White, presidente da delegação da Comissão Parlamentar mista UE-México, destacou três pontos essenciais: política sustentável para um mercado competitivo; normatividade que equilibre a competição e o peso regulatório entre as duas regiões e, principalmente, que sem escala não há soberania.
“A integração digital deve ser incorporada nos acordos comerciais, como os já assinados com México e Mercosul, garantindo estabilidade jurídica mesmo diante de mudanças de governo”, enfatizou.
Rodrigo Dienstmann, presidente da Ericsson para América Latina Sul, destacou que a tecnologia precisa andar junto com a regulação: redes 5G, computação em nuvem e inteligência artificial podem transformar setores como mineração e agricultura, mas só se houver confiança e segurança na infraestrutura.