Brasil e Espanha selam aliança digital: cooperação em TIC, Data Centers e 6G
Os governos da Espanha e do Brasil assinaram memorandos de entendimento para aprofundar a cooperação em TIC em áreas como centros de dados, IA, infraestrutura e satélites.
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Brasil e Espanha concordaram em aprofundar sua cooperação tecnológica por meio de um memorando de entendimento que abrange telecomunicações, conectividade, cabos submarinos, satélites, centros de dados, redes 6G, segurança cibernética e inclusão digital.
Durante a cúpula hispano-brasileira realizada em Barcelona, as nações assinaram o acordo que reflete como a agenda digital se tornou um eixo estratégico da relação bilateral.
Por meio deste memorando, Espanha e Brasil visam fortalecer a cooperação existente através de ações conjuntas que beneficiarão ambas as nações. Para ambos os governos, este acordo surge num momento em que a infraestrutura digital e a soberania tecnológica se tornam cada vez mais importantes para a competitividade global.
Entre os pontos mais relevantes do memorando está a cooperação no planejamento e operação de Data Centers, um setor chave para o crescimento da Inteligência Artificial (IA), serviços em nuvem e digitalização dos negócios.
Tanto o Brasil quanto a Espanha buscam se posicionar como polos regionais para atrair investimentos em infraestrutura crítica, como centros de dados.
Além disso, o acordo inclui a cooperação na implantação de conectividade por meio de fibra óptica e soluções via satélite para áreas rurais e remotas, bem como a promoção de cabos submarinos de telecomunicações, considerados essenciais para a resiliência e capacidade das redes internacionais.
Espectro e 6G
A agenda bilateral inclui também a gestão do espectro radioelétrico, a radiodifusão e a redução das barreiras económicas que dificultam a inclusão digital.
Outro aspecto fundamental da colaboração entre o Brasil e a Espanha serão as novas tecnologias baseadas em redes de acesso de rádio abertas (Open RAN), que desempenharão um papel de liderança na evolução rumo às futuras gerações de telefonia móvel, como o 6G.
Embora o 5G ainda esteja em fase de expansão em muitos mercados, os governos estão começando a estabelecer as bases regulatórias e industriais para o próximo estágio tecnológico, especialmente em antecipação à Conferência Mundial de Radiocomunicações de 2026.
Além disso, as nações colaborarão no desenvolvimento de redes privadas integradas à Internet das Coisas (IoT), um segmento com demanda crescente nos setores de manufatura, logística, portos, mineração e cidades inteligentes.
Cibersegurança, espaço e inovação
A cooperação também abrange a cibersegurança em redes de telecomunicações, a alfabetização digital, a pesquisa em tecnologias espaciais e a coordenação em organizações internacionais como a União Internacional de Telecomunicações.
O escopo do memorando demonstra que os países buscarão fortalecer as capacidades institucionais e regulatórias em setores considerados críticos para a economia digital.
Modernizando o Estado com IA
Em paralelo, ambos os governos concordaram com um plano de trabalho para cooperar na transformação do Estado e na melhoria da gestão pública até 2028.
As ações planejadas incluem a troca de diretrizes sobre o uso da Inteligência Artificial no setor público , estratégias de soberania digital em IA, workshops sobre identidade digital e interoperabilidade de dados, bem como programas de inovação administrativa.
A iniciativa reconhece que a transformação digital não se limita mais ao setor privado, mas se estende à modernização do governo.
Além do conteúdo técnico, o acordo sinaliza que a Europa e a América Latina desejam construir suas próprias alianças tecnológicas em meio à competição entre as grandes potências pela liderança em IA, semicondutores, computação em nuvem e telecomunicações.