Brasil começa a retirar orelhões das ruas com previsão de extinção até 2028

Com o fim das concessões da telefonia fixa, operadoras deixam de ser obrigadas a manter telefones públicos; retirada será gradual, com exceção de áreas sem cobertura móvel.

O país vive um momento histórico na transição das telecomunicações: os tradicionais orelhões, oficialmente chamados de Telefones de Uso Público (TUP), estão sendo gradualmente removidos das ruas brasileiras a partir de 2026, em um processo que marca o fim de uma era que começou em 1972 com a popularização desses aparelhos.

A mudança acontece após o término dos contratos de concessão da telefonia fixa em 2025, que vinculavam operadoras como Oi, Claro, Vivo (Telefônica), Algar e Sercomtel à obrigação de instalar e manter os orelhões como parte das metas de universalização do serviço de voz.

Com a adaptação desses contratos ao regime de autorização, previsto na Lei Geral de Telecomunicações (LGT), as empresas não são mais obrigadas a manter esses equipamentos, o que abriu caminho para a remoção dos telefones públicos.

Segundo dados oficiais, em dezembro de 2025 havia cerca de 38,454 orelhões no país, número que já representa menos da metade dos cerca de 84,938 registrados em dezembro de 2024 e muito abaixo dos mais de 200 mil que existiam em 2020. A queda acentuada acompanha a substituição do serviço por telefonia móvel e internet, com a utilização dos aparelhos tendo caído drasticamente nos últimos anos.

Embora a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) não tenha um cronograma ou mapa específico das localidades, informações relatam que a retirada dos aparelhos não será imediata, nem de uma só vez: aproximadamente 9 mil orelhões devem permanecer em operação até 31 de dezembro de 2028, especialmente em áreas rurais ou em cidades onde não há cobertura mínima de celular ou alternativa de comunicação de voz disponível.

A medida reflete a priorização de investimentos pelas operadoras no mercado móvel 4G e 5G, além de banda larga; tecnologias mais alinhadas às necessidades atuais dos usuários. A manutenção desses telefones ao modelo antigo de telecomunicações se tornou cada vez mais insustentável diante da obsolescência tecnológica.

Dessa forma, o processo marca o fim de um ícone cultural da comunicação no Brasil, mas também um movimento esperado com a evolução das redes de comunicação e da própria regulação do setor.