Administração judicial relata interesse de empresas na carteira imobiliária da Oi

A Oi informou à Justiça que foi procurada por ao menos duas empresas especializadas interessadas em atuar na gestão e na alienação de sua carteira imobiliária, que reúne mais de 7,9 mil ativos. As abordagens partiram da Enforce e da MR Consultoria, segundo relato da administração judicial no âmbito do processo de recuperação judicial da operadora.

A movimentação foi apresentada ao juízo em manifestação vinculada ao pedido de prorrogação da proteção contra credores extraconcursais. A chamada blindagem foi renovada por mais 90 dias, com o objetivo de conceder tempo adicional para que a companhia avance na venda de ativos prevista em seu plano de recuperação.

De acordo com a administração judicial, a carteira imobiliária da Oi é considerada heterogênea, composta por terrenos e edifícios de diferentes portes e valores, muitos deles anteriormente utilizados na prestação de serviços de telefonia fixa.

Nos autos, a administração judicial aponta que a carteira imobiliária listada no plano de recuperação soma cerca de R$ 4,8 bilhões, podendo alcançar valores mais elevados conforme atualizações de avaliação e regularização dos ativos.

A alienação desses ativos, no entanto, tem enfrentado entraves. A operadora reconheceu dificuldades relacionadas a inconsistências de natureza cadastral e jurídica, que demandam regularização prévia antes da conclusão das vendas. Diante desse cenário, a empresa avalia a necessidade de contar com um parceiro com expertise no mercado imobiliário para acelerar o processo.

A demora na venda dos imóveis já foi alvo de críticas por parte de credores financeiros relevantes, como Itaú e Bradesco, que apontam a alienação da carteira como uma das principais fontes previstas para o cumprimento das obrigações assumidas no plano de recuperação judicial.

Além dos imóveis, a Oi mantém outros ativos relevantes, incluindo participação societária na V.tal e contratos cujo valor estimado pode variar entre R$ 20,1 bilhões e R$ 50,1 bilhões, a depender de avaliações de mercado. Já o passivo total da companhia somava R$ 34,1 bilhões em junho do ano passado, segundo informações prestadas pela administração judicial nos autos.