A TV por assinatura segue em trajetória estrutural de queda no Brasil, enquanto a concorrência no mercado móvel se desloca cada vez mais para a qualidade da rede, a diferenciação comercial e a integração com serviços digitais, aponta o Relatório de Monitoramento da Competição do quarto trimestre de 2025, divulgado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Segundo o estudo, o Serviço de Acesso Condicionado (SeAC) perdeu 1.566.521 assinantes ao longo de 2025, o que representa um churn próximo de 17% em doze meses, confirmando a retração contínua do modelo tradicional de TV paga. No mesmo período, a participação do SeAC no chamado Mercado de Oferta Híbrida de Conteúdo caiu para menos de 10%, enquanto as plataformas de streaming passaram a concentrar 90,1% dos acessos ao final de 2025.
A Anatel destaca que o movimento reflete um efeito de substituição tecnológico já identificado em estudos anteriores da agência, com migração acelerada dos consumidores para serviços sob demanda e perda de relevância dos pacotes lineares, o que motivou a reavaliação das obrigações regulatórias aplicáveis ao segmento.
No mercado móvel, o relatório mostra que a competição ocorre em um ambiente altamente concentrado, mas com mudança clara nos vetores competitivos.
O Índice Herfindahl-Hirschman (HHI) da telefonia móvel encerrou o quarto trimestre de 2025 em 0,3088, levemente inferior ao registrado no fim de 2024 (0,3163), indicando uma desconcentração marginal, ainda insuficiente para alterar a estrutura oligopolista consolidada após a redistribuição dos ativos da Oi Móvel em 2022.
Apesar disso, a Anatel observa que as estratégias das operadoras líderes têm priorizado menos o crescimento da base e mais a qualidade da infraestrutura, a ampliação da capacidade de rede e a elevação do ARPU, em um mercado considerado maduro.
Em 2025, a telefonia móvel registrou crescimento acumulado modesto de 0,03% no número de acessos, com 6,83 milhões de adições líquidas em doze meses, desempenho associado à oferta de planos pós-pagos, maior consumo de dados e à integração de serviços digitais às ofertas móveis.
Segundo o relatório, esses fatores passaram a ser determinantes na disputa competitiva, reforçando a centralidade da rede e da experiência do usuário como diferenciais no setor.