Brasil conclui desligamento do sinal analógico de TV
O Brasil concluiu nesta terça-feira (30) o desligamento do sinal analógico de televisão, encerrando oficialmente a migração para o sistema digital iniciada há quase duas décadas. A medida marca o fim de um padrão de transmissão presente nos lares brasileiros desde a inauguração da primeira emissora do país, a TV Tupi, em 1950.
Segundo o Ministério das Comunicações (MCom), o encerramento do sinal analógico levou em conta aspectos técnicos, econômicos, sociais e regionais, com o objetivo de evitar prejuízos à população. O secretário de Radiodifusão da pasta, Wilson Diniz Wellisch, afirmou que a transição foi planejada para garantir cobertura contínua da TV aberta em todo o território nacional.
“O cuidado foi assegurar que nenhuma região ficasse desassistida, considerando que a televisão aberta segue como o principal meio de comunicação para grande parte dos brasileiros”, disse.
O desligamento foi concluído após a finalização das transmissões analógicas remanescentes no Rio Grande do Sul. Em junho, o MCom havia prorrogado o prazo exclusivamente para 74 municípios do estado, em razão dos impactos causados por eventos climáticos extremos registrados entre abril e maio de 2024. O prazo foi estendido até este 30 de dezembro.
Com o encerramento do sinal analógico, o país passa a operar integralmente com a TV digital. De acordo com o governo, esse marco também abre caminho para a futura implantação da chamada TV 3.0 (DTV), novo padrão de televisão aberta em desenvolvimento no Brasil.
A TV 3.0 deverá integrar radiodifusão e internet em um ambiente baseado em aplicativos, com recursos de interatividade, personalização e melhorias na qualidade de imagem e som, incluindo transmissões em 4K e 8K. A implantação será gradual, começando em 2026 pelas grandes capitais.
O Ministério das Comunicações afirma que a chegada da TV 3.0 não implicará a substituição imediata do atual sistema digital. Assim como ocorreu na transição do analógico para o digital, os dois modelos deverão coexistir até pelo menos 2035, permitindo que a população continue acessando a TV aberta mesmo sem equipamentos compatíveis com o novo padrão.