Os efeitos do ciclone extratropical que atingiu São Paulo entre terça (9) e quarta-feira (10) continuam impactando o fornecimento de energia e de telecomunicações no estado. Mesmo após ventos que chegaram a 96,3 km/h ontem, parte da capital e da Grande São Paulo segue sem energia nesta quinta-feira (11).
Segundo a Enel, mais de 2 milhões de clientes na Região Metropolitana de São Paulo foram afetados pelo apagão, e há previsão de novas rajadas de até 60 km/h ao longo do dia, segundo a Defesa Civil.
O prolongamento das falhas no abastecimento elétrico ainda causa instabilidade em serviços de telecomunicações em algumas regiões da cidade. A Conexis Brasil Digital, que representa as principais operadoras do país, afirmou em nota que clientes “podem ainda enfrentar instabilidade nos serviços de telecomunicações devido à ventania que atinge a cidade, causando quedas de árvores e o desabastecimento da rede de energia por tempo prolongado”.
Contudo, a entidade reforçou que “equipes seguem atuando para restabelecer o serviço no menor tempo possível, assim que os pontos afetados sejam liberados e a energia restabelecida pela concessionária”.
Os relatos dos usuários corroboram o cenário. Dados do DownDetector desta quinta-feira (11) mostram novos picos de reclamações nas três principais operadoras móveis ao longo da manhã. Às 11h15 (horário de Brasília), a Claro registrava cerca de 180 notificações de problemas; um número muito acima da linha de base usual de 8 relatos.
A TIM teve 71 queixas às 09h46 perante uma linha de base de 4 reclamações na plataforma, enquanto a Vivo contabilizou 106 notificações às 09h33, também significativamente acima do normal. As categorias mais relatadas incluem internet móvel, internet fixa e sem sinal, com destaque para a capital São Paulo e os municípios de Guarulhos, Osasco, Campinas, Cotia, Carapicuíba e região metropolitana.
Apesar disso, não há registro de interrupções não programadas no sistema ESAQ da Anatel para o dia 10. Os dados oficiais da agência indicam apenas manutenções programadas, sem comunicações de falhas massivas das operadoras, que só são obrigadas a reportar incidentes quando a indisponibilidade atinge parâmetros específicos, como a queda simultânea de uma parcela relevante das estações rádio base (20%) de um município.