Corning aposta na densificação para enfrentar nova era dos data centers de IA

São Paulo. A Corning vem adaptando sua operação latino-americana para oferecer soluções de cabeamento mais compactas e pré-conectorizadas. A empresa vê no Brasil e em países como Chile, Colômbia e México – que hoje respondem por mais de 80% da sua demanda regional – um eixo de crescimento estratégico, impulsionado pelo avanço do programa ReData e pela corrida energética e regulatória em torno da infraestrutura digital.

A densificação é apresentada pela empresa como a resposta técnica a um problema já instalado: os racks de GPU nos novos centros de dados comportam até dez vezes mais fibras do que os tradicionais de cloud. A mudança torna o cabeamento um componente não mais secundário, mas crítico na infraestrutura física dos data centers, interferindo diretamente na refrigeração e no consumo de energia. 

“A IA gerou um salto: a quantidade de fibra aumenta por um fator de 10 e isso passa a influenciar energia, cooling e desenho físico do rack”, ressaltou o sales manager da Corning, Juliano Covas.

Dessa forma, a empresa apostou na redução pela eficiência tanto na latência quanto do espaço físico, adotando um design de diferenciação por cores dos interconectores para evitar a passagem excessiva de cabos e facilitar a identificação do que cada um conecta. 

“As novas fibras e conectores desenvolvidos pela empresa, até 40% mais finos, permitem acomodar mais conexões no mesmo espaço e reduzir o tempo de instalação em até 70%”, explicou Covas.

Reestruturação e Brasil

No plano operacional, Covas deixou claro que a divisão de data centers é tratada separadamente do negócio de FTTH/carriers. “Nós saímos da fabricação para o segmento carrier/FTTH [no Brasil]. Para o de data centers, nós continuamos presentes comercialmente e trazemos soluções importadas”, explicou.

Isso responde à questão da redução da presença fabril da Corning no Brasil nos últimos anos, onde houve fechamento e readequação de suas fábricas visando alinhar estrutura de custos à demanda.

A empresa mantém escritórios comerciais e times de engenharia no Brasil, e fábricas para alguns produtos no México e na Europa. O Brasil segue como um hub comercial e de suporte técnico, mas não necessariamente uma base fabril para toda a cadeia de componentes da Corning.