Brasil se firma como laboratório do Open Gateway na América Latina

Uma das discussões na Futurecom 2025 mostrou que o Brasil desponta como campo de prova importante para o Open Gateway, iniciativa que expõe capacidades de rede por meio de APIs abertas. Para operadoras, bancos e desenvolvedores, trata-se de um ponto de inflexão: transformar infraestrutura de telecom em plataforma de inovação.

“É um processo inédito da indústria móvel. As inovações vinham das OTTs, agora as operadoras também podem se aproximar dos desenvolvedores e da nuvem”, afirmou Alejandro Adamowicz, diretor de tecnologia da GSMA, lembrando que quase 95% da cobertura móvel da América Latina já está vinculada a operadoras com APIs do Open Gateway.

Segundo análises da própria GSMA, o Brasil e a América Latina estão entre os mercados mais avançados na adoção do Open Gateway. Claro, TIM e Vivo já oferecem APIs de autenticação e verificação em escala comercial, com casos como a API de SIM Swap, que chega a processar milhões de requisições mensais. Globalmente, são 72 operadoras signatárias deste acordo.

Segundo Leonardo Siqueira, diretor de data monetization da TIM, a escolha de quais APIs deveriam ser lançadas inicialmente, foi pragmática: autenticação, verificação de localização e prevenção a fraudes; dores reais do mercado. “Por mais tecnologia e barreiras de segurança que os bancos tenham, muitas vezes o elo frágil é o cliente que acaba caindo em golpes de engenharia social e atuando contra si. As APIs atacam diretamente essas dores.”

Especialistas destacam, porém, que os próximos desafios vão além da segurança. A expectativa é ampliar o portfólio de APIs para casos de uso em qualidade de rede, status de dispositivo e serviços de edge computing, criando valor sustentável para empresas e consumidores. 

Outro ponto em discussão é a escala e a interoperabilidade, já que o sucesso do modelo depende tanto da padronização técnica quanto da confiança regulatória em relação a privacidade e proteção de dados sob a LGPD e legislações locais.

Do lado da infraestrutura, a Nokia se posiciona como elo técnico para capturar esse valor. “Monetizar a rede depende de reduzir barreiras. Nosso papel é ligar operadoras e desenvolvedores, com SDKs que simplificam integração e ampliam casos de uso”, afirmou Carlos Sarli, consultor de soluções.

O Itaú, primeiro banco a aderir, vê no modelo não apenas eficiência, mas vantagem competitiva. “Nossos clientes mudaram. As parcerias com as telcos nos permitem acelerar inovação em escala e oferecer experiências mais seguras”, disse Bruno Cezzaretto, gerente do banco.

Para o Itaú Cubo, hub de inovação tecnológica criado em 2015 pelo Itaú Unibanco em parceria com a Redpoint Eventureso, o impacto vai além da rede. “Open Gateway é open innovation. É abrir a inovação e criar fóruns que conectem corporações e startups a novos modelos de negócio”, disse Andreisa Flores, community manager da empresa.

Nessa cadeia, o Cubo conecta startups de tecnologia a corporações, investidores e parceiros estratégicos, num ambiente de inovação aberta. Ele provê curadoria para selecionar startups com potencial de escala, facilita conexões de negócios, POCs (provas de conceito), networking, mentorias, conteúdos e plataformas de inovação aberta.