Soberania digital sim e mais big techs também, defende ABES na Futurecom 2025
São Paulo. No painel sobre regulação e inteligência artificial realizado nesta quarta-feira, 1º de outubro na Futurecom 2025, o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES), Andriei Gutierrez, afirmou que o Brasil precisa de uma estratégia mais ambiciosa para consolidar sua soberania digital.
Para ele, o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) deve ser acompanhado de medidas que coloquem o país em posição de competitividade global, incluindo a tração de mais big techs, maior abertura a diferentes tecnologias e uma política migratória capaz de atrair cérebros de fora, aproveitando a oportunidade do encarecimento do visto americano H-1B.
“Não precisamos discriminar tecnologia estrangeira, precisamos manejar todo tipo de tecnologia e, ao mesmo tempo, criar condições para que surjam mais big techs no Brasil”, disse Gutierrez. O executivo ressaltou que não se trata de uma disputa entre grandes e pequenas empresas, mas de garantir que o país esteja “no mapa da competitividade digital”.
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Gutierrez citou ainda os Emirados Árabes Unidos, que recentemente lançaram um supercomputador e já conseguem atrair talentos que antes preferiam o Vale do Silício. “Enquanto país, quantos profissionais conseguiremos trazer frente às barreiras de vistos em mercados como os Estados Unidos? O Brasil precisa se abrir”, provocou. Segundo ele, o Brasil corre o risco de perder talentos se não avançar em uma política migratória tecnológica.
O presidente da ABES também revelou que a entidade firmou contratos recentes tanto com o Vale do Silício quanto com a China, ressaltando que a competitividade global passa pela capacidade de dialogar com diferentes ecossistemas.