“Nuvem”: o cabo submarino da Google que vai conectar Portugal e integrar um anel digital transatlântico
O governo português concedeu ao projeto de cabo submarino Nuvem, o estatuto de ação de relevante interesse público. O ambicioso sistema transatlântico da Google, vai ligar Portugal (com amarração em Sines e nos Açores) às Bermudas e à costa leste dos Estados Unidos (Carolina do Sul), tornando-se o primeiro a ligar o arquipélago à Europa.
Com 16 pares de fibras e capacidade total de 384 Tb/s, o Nuvem deve entrar em operação em 2026 para reforçar a resiliência e reduzir a latência das comunicações no Atlântico.
A medida, publicada no Diário da República, permite viabilizar obras mesmo em áreas com restrições ambientais, como a Reserva Ecológica Nacional (REN), já que recebeu parecer da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) de isenção de avaliação de impacto ambiental.
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A APA já dispensou o projeto de avaliação de impacto ambiental, entendendo que não haverá efeitos negativos significativos, desde que sejam implementadas medidas de mitigação.
O reconhecimento de ação de relevante interesse público, foi solicitado pela norte-americana AECOM, responsável pelo licenciamento em Portugal, e contou com parecer favorável da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo e aprovação unânime da Assembleia Municipal de Sines.
O Nuvem faz parte de um anel digital global, ligando diretamente América Latina (via cabo Firmina que conecta Brasil, Argentina e Uruguai à Carolina do Sul); África (cabo Equiano, que passa por Togo, Nigéria, África do Sul, Santa Helena, até Portugal); e Europa/América do Norte.