Vivo amplia participação na FiBrasil com investimento de R$ 850 milhões

A Telefônica Brasil (Vivo) anunciou a compra da totalidade das ações da FiBrasil detidas pelo Caisse de dépôt et placement du Québec (CDPQ), incluindo participação direta e indireta via Fibre Brasil Participações. A operação, no valor de R$ 850 milhões (131 milhões de euros), eleva a fatia da Vivo na FiBrasil de 25% para 75,01%, enquanto a Telefónica Infra S.L. manterá os 24,99% restantes

Com isso, a holding Telefónica S.A. passa a controlar, indiretamente, 100% da FiBrasil. A conclusão depende agora das aprovações do CADE e da Anatel, além de eventual ratificação em assembleia geral de acionistas da operadora.

A FiBrasil foi criada em 2021 como joint venture entre Vivo/Telefónica e CDPQ, com investimento de aproximadamente R$ 1,8 bilhão do fundo canadense, que permitiu a estruturação de rede FTTH para atender inicialmente 1,6 milhão de domicílios. Até o final de 2024, a empresa tinha alcançado cerca de 4,6 milhões de casas passadas, em 151 cidades de 22 estados.

Hoje, a Vivo possui rede própria que cobre aproximadamente 30 milhões de domicílios e empresas em 444 cidades, com 7,2 milhões de clientes conectados por fibra óptica, e oferece ainda o plano convergente Vivo Total, com 2,7 milhões de assinantes, crescendo 77% ao ano .

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Com o aumento de participação na FiBrasil, a Vivo reforça sua estratégia de consolidar e expandir sua rede de fibra, aproveitando a estrutura de rede neutra para crescer nos mercados de atacado e varejo, acelerar a migração de clientes do cobre para o FTTH, e potencialmente captar novos investidores. 

A operação também proporciona maior flexibilidade para emitir novos financiamentos, inclusive por meio de debêntures: a FiBrasil já captou R$ 865 milhões em 2024, além de diversificar sua base de clientes que ainda está concentrada na Vivo, responsável por 95% da receita da joint venture.

Concorrentes como Oi (com InfraCo, agora chamada Nio) e TIM (com FiberCo) seguem modelo similar de rede neutra e também aceleram suas expansões.

A conclusão da operação pela Vivo está condicionada à análise das autoridades brasileiras (CADE e Anatel), que já aprovaram a criação da FiBrasil em 2021, e devem avaliar o impacto da aquisição sobre a competição no mercado de infraestrutura de fibra óptica antes de deliberação final.