PERT aponta lacunas em backhaul óptico e cobertura 5G no Brasil

A Anatel publicou a atualização anual do Plano Estrutural de Redes de Telecomunicações (PERT), trazendo um panorama detalhado da infraestrutura nacional de telecom até o final de 2024 e indicando prioridades de investimento público e privado para os próximos anos. O documento reafirma o papel do PERT como insumo estratégico para políticas de conectividade e regulação orientada a dados.

Segundo o relatório, a rede de transporte em fibra óptica (backhaul) atinge atualmente 76,5% dos municípios, o que representa cobertura para 94,3% da população brasileira. No entanto, ainda restam 1.207 municípios sem backhaul óptico, a maioria nas regiões Norte e Nordeste. A desigualdade na cobertura também aparece nas rodovias federais, onde apenas 49,8% da extensão está coberta com 4G e 11% com 5G.

Já a média de velocidade contratada da banda larga fixa alcançou 447 Mbps em 2024, com 77,1% dos acessos utilizando fibra óptica. No móvel, o Brasil figura na 6ª posição mundial em velocidade de internet, segundo a Speedtest, com média de 222 Mbps.

A nova edição reforça ainda a concentração de mercado no SMP, com 95,5% dos acessos nas mãos de Claro, TIM e Vivo. Apesar disso, a Anatel identifica diversidade de ofertantes, especialmente em áreas urbanas menores.

Para enfrentar os gargalos, o plano propõe projetos de ampliação de infraestrutura de transporte e acesso, incluindo:

  • expansão do backhaul com fibra ou rádio IP;
  • cobertura móvel 4G ou superior em municípios com menos de 30 mil habitantes;
  • expansão do SMP e SCM em áreas rurais e rodovias.

O documento também lista fontes potenciais de financiamento, como TACs, FUST, compromissos de radiofrequência e recursos da conversão do regime de concessão do STFC para autorização.

A Anatel destaca que o PERT será substituído em breve por uma nova versão mais ampla, elaborada com base no conceito de Conectividade Significativa e Universal, atualmente em consulta pública.