Comeback da Huawei no Brasil tem smartphone de R$ 33 mil, pré-venda em varejistas e promessa de loja física

São Paulo, Brasil. A Huawei anunciou oficialmente seu retorno ao mercado brasileiro de smartphones com uma aposta que não é para todos (e ela sabe disso). O Mate XT Ultimate Design chega ao país custando impressionantes R$ 33 mil, posicionando-se como o celular mais caro já lançado oficialmente no mercado nacional. A pré-venda, contudo, já está aberta nas Casas Bahia e Fast Shop; uma varejista popular e uma varejista de eletrônicos de alto nível.

Trata-se de um modelo dobrável com três telas, o primeiro tri-fold do mundo, importado da China, que busca ocupar um espaço de vanguarda tecnológica. Ele estreia ao lado de outro dobrável de dois eixos, ambos da linha Mate X, com diferenciais como dobradiça interna e múltiplas experiências de uso simultâneo.

A Huawei, no entanto, evita focar em volume de vendas com esses dispositivos e deixa claro que o objetivo é reposicionar a marca e recuperar prestígio no segmento premium. “Esses aparelhos não vão ser os top sellers, em nenhum país. Mas eles existem para mostrar o que a Huawei consegue fazer. São produtos únicos”, disse Carlos Morales, diretor de Relações Públicas para a América Latina da divisão de consumo.

A gigante chinesa ainda cravou seu retorno com o anúncio da abertura de uma loja física no Brasil, mas sem data nem local definidos até o momento.

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Foto: DPL News

Entre o prestígio e o risco: celular de R$ 33 mil, “sem” Google

A estratégia levanta questionamentos, a começar pelo mais óbvio: como vender um celular de R$ 33 mil sem Google, WhatsApp, Instagram e outros apps populares no Brasil?

Os dispositivos chegam sem os serviços nativos do Google devido a restrições comerciais impostas desde o veto dos Estados Unidos. No entanto, a Huawei garante que é possível instalar todas as aplicações — incluindo WhatsApp, Instagram, Facebook, Google Maps e YouTube — de forma relativamente simples por meio da AppGallery (sua loja própria) e da integração com MicroG, serviço alemão que emula os Google Mobile Services (GMS).

O sistema operacional que equipa os aparelhos não é o HarmonyOS (ainda limitado à China) como foi anteriormente informado, mas sim o EMUI, baseado no Android Open Source Project, com compatibilidade plena para apps e suas atualizações.

Por que voltar com o produto mais caro?

Questionado sobre a decisão de retornar ao Brasil com um produto tão caro, Morales disse que a marca ouviu o público e entende que ainda há forte apelo de imagem em torno dos celulares Huawei, especialmente os dobráveis. A decisão de estrear com a linha mais cara é uma “coincidência” por ser simplesmente o lançamento mais recente da empresa, apresentado pela primeira vez no último MWC de Barcelona, neste 2025. A estratégia então é reconstruir o reconhecimento da marca no alto padrão.

“A linha Mate mostra o que somos capazes de fazer. Mais produtos virão, inclusive em outras faixas de preço”, afirmou Morales.

Apesar disso, não houve estudo de mercado específico para o Brasil, segundo o porta-voz. A decisão se baseou principalmente no retorno que a empresa recebeu nas redes sociais nos últimos anos, com consumidores brasileiros pedindo o retorno dos smartphones da marca.

Os primeiros passos do novo ciclo

A empresa também aposta em reconquistar o consumidor por meio de wearables e acessórios, área em que manteve presença no Brasil durante o período de ausência dos celulares. A nova linha inclui os relógios Watch 5, Watch Fit 4 e Fit 4 Pro, além dos fones FreeBuds 6, todos com vendas iniciadas em canais como Shopee, Amazon, Mercado Livre, Casas Bahia e Fast Shop.

Além disso, um dos modelos é lançado em parceria com a Claro Sync, serviço da operadora que permite emparelhamento e conectividade com outros dispositivos, permitindo usar o mesmo número em dois aparelhos por meio de eSIM. 

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Foto: DPL News

Os produtos são todos importados da China. A Huawei descarta, por ora, qualquer iniciativa de fabricação local ou parcerias de montagem, diferentemente de concorrentes como Xiaomi e Oppo.

Um ecossistema completo, com preço de aposta

Com essa movimentação, a Huawei tenta reocupar um espaço perdido — saiu do Brasil com menos de 1% de market share e, hoje, retorna para disputar com marcas consolidadas, como Samsung e Apple, e emergentes como Xiaomi e Realme.

Não é uma volta fácil, mas é estratégica: o tripé formado por celulares dobráveis de ponta, integração com operadoras e ampliação do ecossistema mostra que a Huawei não quer apenas vender um celular; ela quer vender uma ideia de sofisticação, inovação e independência tecnológica.